A Chegada – Um novo olhar sobre os ETs

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Eu já sabia que A chegada era “um filme de ET diferente”.

O que eu não sabia era que no momento em que você dá o play, você abre mão da tensão de uma batalha cheia de tecnologia extraterrestre em prol de uma profunda sessão de análise sobre grandes questões da atualidade: o poder da comunicação e a nossa relação com o tempo.

Amy Adams as Louise Banks in ARRIVAL by Paramount Pictures

Quem nunca se questionou: “será que a vida da gente já tá traçada?”, “será que isso é destino?”, “se eu pudesse voltar no tempo eu faria isso ou aquilo?”… Acho que todo mundo um dia já teve um pensamento mais ou menos nesse sentido. O que talvez a gente quase nunca pare pra pensar é o quanto a nossa comunicação, a nossa linguagem influencia nisso. Quantas atitudes você tomou ou deixou de tomar por causa de algo que você ouviu alguém dizer ou uma frase que você leu ou um filme que você assistiu? Quantas vezes você foi imprudente ou intolerante porque não teve tempo pra entender o contexto de algo que foi dito?  Ou quantas vezes algo te tocou tanto que te fez seguir outro caminho?

Você realmente acha que isso não tem importância no grande esquema das coisas? Claro que tem. As palavras têm poder! A comunicação, ou falta dela, pode mudar a vida, o mundo.

Parece até que eu tô viajando na filosofia aqui mas, de fato, a relação da linguagem com o desenrolar da vida é meio que o tema de A Chegada. Talvez minha review nem faça tanto sentido agora, porque não quero dar spoiler. Mas depois do filme talvez você concorde comigo. Ou não.

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Em A Chegada, a personagem de Amy Adams, uma solitária doutora em linguística, tem a tarefa de estabelecer contato com invasores alienígenas. Tudo que uma especialista em línguas pode sonhar, afinal compreender e se comunicar em uma linguagem que tem uma relação diferente com o tempo é um up no currículo, certo?

O problema é que não é só o real desejo de compreensão, a sede do aprendizado, e sim a corrida contra o tempo pra evitar aquilo que os humanos sempre fazem: usar a violência diante do desconhecido. Parece surreal que em todo filme de ET os humanos queiram se comunicar com aliens, quando entre si, eles dão um verdadeiro show de falta de comunicação. A Chegada mostra bem isso.

Amy Adams, inclusive, tá magistral nesse filme. Sua personagem tão introvertida e solitária, que consegue não só ser expert em linguagem, mas se comunicar num nível absurdo em toda sua interpretação quase muda. Só de olhar pra ela, entendemos a sua dor, a sua emoção, a sua fascinação, intuição e vulnerabilidade. A indicação ao Oscar não foi à toa.

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Como em toda linguagem nova que é aprendida, o filme é um espiral de informação. Com um passo a passo muito interessante. Ele te obriga a pensar um pouco. O visual, a trilha e o clima nostálgico ajudam muito a ingressar nesse mar de detalhes que demandam nossa total atenção. O diretor canadense Denis Villeneuve (de Sicário) nos entrega um filme impactante, com bom ritmo e pontos de vista que nos possibilitam engajar na história que é bem intrincada. Um filme inteligente, de um gênero que não nos faz esperar muita coisa a não ser explosões, destruição e alguém sendo herói. Tem isso em nesse filme? Tem, mas de um outro jeito.

A Chegada, pra quem não sabe, é a adaptação de um conto chamado “Story of your life”, do escritor de ficção científica americano Ted Chiang. E, exatamente como no livro, o filme não é sobre uma invasão alienígena, não é sobre descobrir o que existe além de nós no universo. Apesar de nos fazer enxergar os ETs com outros olhos. Ele é antes de tudo um grande alerta para a necessidade de diálogo, seja entre os povos, seja na sua família. É um apelo contra a intolerância. É uma história de amor entre mãe e filha. É um relato do que é a compreensão além das palavras, do que realmente significa amadurecer. É uma jornada pra aceitar o tempo, entender que tudo tem um fim, aprender resiliência e descobrir o poder das nossas escolhas, mesmo quando não temos nenhuma.

Em A Chegada a linguagem e o tempo mostram que abraçar de forma consciente todas essas questões é um verdadeiro presente. E se talvez, só talvez, você realmente tentar entender o sentido do que diz e do que ouve, seja meio caminho andado.

 

  1. Responder

    Eu já queria MUITO assistir esse filme, agora mesmo preciso do filme E do livro, haha!

      • Paula Veloso
      • 23 de fevereiro de 2017
      Responder

      O filme é bem fiel viu!

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